As pessoas, desde o início da infância, aprendem um conjunto de comportamentos que são utilizados nas diferentes interações sociais. Quando esses comportamentos mantêm ou aumentam os vínculos entre as pessoas, chamamos de habilidades sociais.

As crianças pequenas frequentemente são ensinadas a manifestarem as habilidades sociais chamadas de Civilidade, dizer “por favor”, “obrigado”, “pedir licença para entrar em uma situação ou conversa”, resolver conflitos interpessoais utilizando o diálogo e a busca de compreensão da situação e do outro, ao longo da primeira infância outras habilidades vão se tornando fundamentais. A literatura tem evidenciado que as habilidades sociais são aprendidas nas interações sociais, e que os educadores (pais e professores) devem intencionalmente buscar desenvolvê-las desde a primeira infância e, principalmente, na adolescência.

Desenvolvimento socioemocional na infância e adolescência


Em cada período da vida, diferentes demandas interpessoais vão acontecer, na educação infantil o início da comunicação a nomeação dos objetos, expressar agrado e desagrado e assim habilidades tais como: fazer pedido, emprestar o brinquedo, expressar alegria ou tristeza e etc. No final da educação infantil e início do ensino fundamental as habilidades de comunicação e outras habilidades sociais vão sendo requeridas de forma mais elaborada tais como: a criança não só precisa conseguir reconhecer e expressar alegria, tristeza, raiva, dor como também terá que pedir para entrar na brincadeira, dizer ao amigo o que gostou e o que não gostou como também terá que desenvolver as habilidades acadêmicas de fazer pergunta, expressar opinião, aceitar ideias dos colegas, trabalhar em grupo, entre outras. E assim sucessivamente nas outras etapas do ciclo de desenvolvimento humano, diferentes situações vão demandar habilidades sociais e socioemocionais que poderão ser aprendidas desde a primeira infância e poderão ser aprimoradas, desde que os diferentes educadores estejam atentos e dispostos a se envolver nessa formação.



O papel da família e os demais educadores (professores, coordenadores, diretores e demais agentes educativos)


Desta forma, a família e os demais educadores, nos diferentes espaços escolares e não escolares, vão assumir um importante papel de ensinar essas habilidades socioemocionais a crianças e jovens para que eles consigam conviver na sociedade de forma autônoma, proativa e ética. Del Prette & Del Prette (2005) afirmam que esses agentes educativos podem proporcionar a seus filhos/alunos um desenvolvimento socioemocional sadio e que os habilite para lidar com as demandas da vida.


Os estudos na área das Habilidades Sociais têm evidenciado que pais e professores precisam desenvolver um conjunto de habilidades sociais chamadas de educativas para que eles sejam formadores dentro dessa perspectiva do desenvolvimento socioemocional de crianças e jovens. Aos educadores é de fundamental importância que conheçam:

  • a relação entre déficit de habilidades sociais de alunos e baixo desempenho acadêmico (GRESHAM, 1992, VAUGHN & HOGAN, 1990, DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2003),
  • a relação entre ambiente familiar, habilidades sociais e desempenho escolar (BOLSONI-SILVA & MARTURANO, 2002, 2006 e 2010)
  • e a importância das habilidades sociais educativas do professor para promoção do desenvolvimento socioemocional (DEL PRETTE & DEL PRETTE, 2006; Z. DEL PRETTE & A. DEL PRETTE, 2008, MANOLIO, 2009; ROSIN-PINOLA, 2009).
  • a importância das habilidades sociais para o sucesso acadêmico dos alunos (MEIER, DIPERNA & OSTER, 2006; LANE, WEHBY & COOLEY, 2006),
  • a melhora da percepção dos professores sobre o desempenho dos alunos após treinamento em habilidades sociais (BATTALIO, 2006)
  • e a efetividade de programas que ensinam estratégias de arranjos ambientais em sala, noções sobre regras e consequências, encorajamento dos professores em avaliação do processo de aprendizagem dos alunos (RIMM-KAUFMAN & CHIU, 2007; DO VALE, 2012).

Os estudos internacionais têm fortalecido esse debate já que evidenciam:

Nesse sentido, a formação dos professores precisa considerar o estudante e suas aprendizagens no centro de toda ação e a partir desse objeto de análise compreender as relações entre conteúdos conceituais, procedimentais e socioemocionais com base em resolução de problemas reais, ou seja, considerando o estudante e as diferentes situações de cada escola (ROSIN-PINOLA, 2009, 2014, 2017). Esse processo requer diálogo e mediação, sugere-se que as escolas se organizem para realizar essa formação com o coletivo dos educadores (professores, coordenadores, diretores e demais agentes educativos) nos diferentes níveis de ensino.


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Amplie seu conhecimento

CARR, E. G. DURANG, V. M. (1985). Reducing behavior problem through functional communication training. Journal of Applied Behavior Analysis, 18, 111-126.

DEL PRETTE, Z. A. P. & DEL PRETTE, A. (2005). Psicologia das habilidades sociais na infância. Petrópolis: Vozes.

DO VALE, V. M. S. (2012). Tecer para não ter que remendar. O desenvolvimento socioemocional em idade pré-escolar e o programa Anos Incríveis para educadores de infância. Dissertação de Doutoramento em Ciências da Educação. http://biblioteca.esec.pt/cdi/ebooks/docentes/V_Vale/Tese%20doutoramento.pdf

ELIAS, L. C. S., MARTURANO, E. M.; MOTTA-OLIVEIRA, A. M. Eu posso resolver problemas: um programa para o desenvolvimento de habilidades de solução de problemas interpessoais. Temas em Psicologia, Ribeirão Preto, v. 20, n. 2, p.521-535, dez. 2012.

EVANS, I. M. (1993). Constructional perspectives in clinical assessment. Psychological Assessment, 5 (3), 264-272.

LEE, W. O. Education and 21st century competencies. Keynote paper presented at the Education and 21st Century Competencies, hosted by the Ministry of Education, Oman, 22-24 September, 2013.

MAYER, G. R. (1999). Constructive discipline for school personnel. Education and Treatment of Children, 22 (1), 36-54.

MERRITT, E.G.; WANLESS, S.B. & RIMM-KAUFFMAN, S. E. (2012). The Contribution of Teachers’ Emotional Support to Children’s Social Behaviors and Self-Regulatory Skills in First Grade. School Psychology Review, 41 (2), 141–159.

YODER, N. (2014). Teaching the Whole Child: Instructional Practices That Support Social-Emotional Learning in Three Teacher Evaluation Frameworks.

Disponível em http://www.gtlcenter.org/sites/default/files/TeachingtheWholeChild.pdf.

WORRELL, F. BRABECK, M., DWYER, C., GEISINGER, K., MARX, R., NOELL, G., & PIANTA, R. (2014). Assessing and evaluating teacher preparation programs. Washington, DC: American Psychological Association.